Será?

O homem consegue ter uma parceira fixa, amá-la e mesmo assim ser sexualmente livre, inclusive, até se apaixonar por outras mulheres?

É disso que eles sentem medo. De perder esta dominação. Temem que as mulheres deixem de ser seus objetos e que eles próprios passem a ser objetos.

O amor romântico é um aliado da dominação masculina do homem sobre a mulher. O homem sabe que se a mulher quebrar a barreira romântica e se tornar consciente de seu desejo e da liberdade do seu corpo, estará aberta a novas experiências amorosas.

Enquanto a mulher discute o machismo, relata opressão e denuncia violências, o homem continua com os mesmos privilégios de gênero. Quando a mulher criará os seus, sem que eles estejam ligados aos homens?

Quando a mulher estará preparada para amar sem medo? Sem medo do abuso, da violência, da “traição”, da morte?

O único medo que o homem tem quando “ama” é que a mulher descubra a frágil fortaleza da dominação masculina.

Portanto, louvo às mulheres livres desta hegemonia romântica, hipócrita e patriarcal!

Que vocês dancem por quem ainda não se libertou, que sonhem, que vivam o último segundo de suas vidas resistindo felizes à opressão social. O feminismo é anárquico.

Mulher, um ser político.

Ser mulher é mesmo diferente. Desde que nos entendemos por gente, sabemos o sentido político de nossa existência. Mesmo que nunca falemos a respeito.

A primeira lição é a divisão de tarefas numa casa. Essa coerção social de que toda responsabilidade sobre a casa deva recair sobre a mulher. E não importa o peso que isso implique. A mulher é senhora da casa e sua escrava. Sim, estou escrevendo do século XXI para provar que muita coisa não mudou.

Os homens hoje estão mais participativos e até mais presentes como pais. É claro, o homem “ajuda” nas atividades domésticas, mas ninguém fala que essa ajuda é prejudicial porque toda a sobrecarga continua sobre a mulher. E ao homem que “ajuda”cabe os aplausos.

Essa lógica de dominação precisa ser extinta. Enquanto politicamente mulheres continuarem restritas ao ambiente privado e os homens ao público, a desigualdade de gênero permanecerá.

De nada adianta mulheres ocuparem espaços predominantemente masculinos, se elas têm ainda que lutar contra um outro espaço do qual não se libertaram. E se elas se libertaram é porque estão explorando outra mulher.

Todas as discussões sobre diferença salarial entre homens e mulheres, concorrência no mercado de trabalho, passam por essa problemática, que está cristalizada na sociedade: a mulher destinada ao ambiente privado. Se ela quiser ser uma mulher pública, terá que se desfazer dos signos “femininos”: casa e maternidade.

Como casa e paternidade não podem ser signos masculinos? Simples, não se pode exigi-los dos homens. Homens nascem livres, mulheres são seres políticos lutando por sua liberdade.

Por Stephanie Rodrigues

Estórias maquinais

O Capitalismo me traz a imagem de Deus.

Do pouco salário, resta compaixão,

de mim, de ti, meu irmão.

Graças ao Eterno; ele me livra das agruras capitais.

Às cegas, o individualismo atiça competir.

A glória de lucrar, mas se eu…

Só posso lutar….

Deus meu, este mundo não é teu?

Não. Não é tua a lógica protestante.

Não à utopia. Enquanto for matéria e trabalho, e permanecer nesse mundo, de que nunca tive parte,

quero ser mancha evanescente, poeira sacudindo revoluções; movimento e motor da História.

Por Stephanie Rodrigues

Sem som e sem fúria

Elas podem muitas coisas. Nunca surgem à mercê do nada, embora sempre aparentem sobrar. As palavras faltam. Adormecem, mas voltam como sanguíneo trauma.

Decerto que ir da desdita à felicidade  e vice- versa, é matéria que não cabe numa fraca confissão. Teatro da vida banal, repleto de reprovações em minha Poética, sem Destino, na qual se procura a heroína.

Não posso montar o cenário catártico e despir a imoralidade da fala. Não moverei o sacrilégio inútil de transformar o que já foi dito.

Ademais, para que vilões? Como engrandecer a luta? E se a desmedida não estiver unicamente em mim?

Não há poetas que cantem o nosso choro. Mulheres! O coro das carpideiras onde estará? Lamentem! Inflamem mais uma patética tessitura feminina.

A vida é um conto contado por um idiota, cheio de som e fúria, significando nada.” 

Macbeth ( William Shakespeare)